26/09/12

Nunca me hei-de habituar a esta ideia grotesca de como num momento tudo vira do avesso enquanto estamos com a cabeça enfiada dentro dos nossos problemas inventados de trabalho e da relação e do amigo. Num único momento um bocado de nós pode deixar de existir, como o conhecemos, e quando damos conta da situação temos que nos resignar à ideia feita e inevitável do não podia fazer nada. Não podia mudar nada. Não sabemos até sabermos. E é ainda mais assustadora a forma como estas mudanças trágicas são absorvidas no nosso quotidiano como uma verdade absoluta, como se sempre tivessem existido, como se o que está para trás desse momento fosse apenas uma ideia remota, um filme a preto e branco, um desenho a carvão sem traço definido. Não gosto nem um bocadinho da ideia de seguir a vida sem te poder ir buscar a casa à sexta-feira, sem ouvir uma queixa aleatória sobre os projectos mal feitos que finjo entender, sem o relato do teu mais recente episódio inóspito, que só podia mesmo ser teu. E ter de viver com um sentimento de culpa completamente infundado, mas que volta sempre, porque se podia ter feito sempre mais qualquer coisa; podíamos ter falado mais, podíamos ter tomado mais um café, podíamos ter fumado mais um cigarro, podíamos ter dançado mais, podíamos ter bebido mais um cálice de Porto. Tudo fica aqui a passear, vai-se embora nas horas de maior ocupação, volta quando ousamos relaxar um pouco. É tudo tão injusto, tão aleatório, tão desconexo que há apenas uma coisa a fazer: nada. Quem sabe o avesso vira ao normal. Quem sabe viramos nós a seguir.

27/07/12

«Well you know what it's like when you first sleep with someone you don't know. It's.. you like become this blank canvas, and it gives you an opportunity to project onto that canvas who you want to be. And that's what's interesting because everybody does it [...] And what happens is while you're projecting who you want to be, this gap opens up between who you want to be and who you really are. And in that gap, it shows you what's stopping you becoming what you want to be.»

06/07/12

Esta classe política dá-me vontade de me meter numa banheira com duas torradeiras e um ferro de engomar. Um bando de zés merdas sem qualquer ponta de qualificação que chegam ao poder por serem ratos, matreiros, bem relacionados. Não se dão nem ao trabalho de disfarçar, e ainda nos mentem na cara. Sorte deles sermos um país que por muitos anormais que tenha não tem por hábito partir tudo quando está enervado, porque rebentar com isto tudo de nada nos valia. Culpa nossa que nos achamos inteligentes mas nos mantemos afastados desses meios de cultura selectivos a Chicus espertus sp. Gosto tanto de cá viver e quero fazer aqui a minha vida, estudei 23 anos e ainda me meti a estudar mais 4, mas passei hoje o dia a fazer contas e a comparar taxas de juro e ofertas de aplicações (EU a avaliar taxas de juro, mãe do céu), porque subitamente lembrei-me: daqui a quatro anos acabo o meu contrato e tenho a real possibilidade de passar da deprimência mediana de mestre desenrascado ao atestado de falhanço de doutorado desempregado. Não que fizesse alguma coisa de diferente ou mudasse alguma decisão, que não me interessa pensar nisso, para a frente é o caminho, mas gostava que se mudasse este paradigma, imposto pelo zé-merdismo partidário, de que não podemos criar expectativas irrealistas de querer trabalhar no nosso país, na nossa área de formação e devidamente remunerados. É que mais um workshop com a cassete do empreendedorismo e eu juro que vomito. 

31/05/12


I still can't get over on how much I want to go back. No futuro, quem sabe? Não fujas, por favor.

18/05/12

1. Tarde inteira a cristalizar. Horas depois, produto mais puro que a virgem e mais branco que a minha face nórdico-moçambicana. Pimba com um resíduo impuro em cima e subitamente vira vermelho.

 2. A pouco mais de 100 paginas de acabar um livro. Pimba com aquela gosma da lata de atum em cima. Livro molhado e a cheirar a atum, a nova definição de apetecível.

3. Sapatilhas que ainda não estão bem familiarizadas com os meus pés. Cansaço do catano nas pernas.

4. Mais que seis horas de sono à semana? Querias.

5. FCT a pagar-te o salário? Querias.

6. Cozinha livre de formigas? Querias.